| Apresentação |
Vivemos a era da aceleração e do esgotamento extremo, em que a angústia é frequentemente tratada, de forma equivocada, como mero déficit de competência ou fraqueza pessoal. Com base na psicanálise, na sociologia e na psicodinâmica do trabalho, esta palestra propõe uma reflexão profunda sobre como o discurso do mercado atual impõe um mandato tirânico de produtividade e felicidade ininterruptas, sequestrando a energia vital do sujeito para transformá-lo em uma insaciável “empresa de si mesmo”. Ao desconstruir a promessa ilusória de completude através do consumo de objetos efêmeros (os gadgets) e o isolamento gerado por essa dinâmica, a apresentação articula os conceitos de Freud, Lacan, Marx e Dejours com a recente atualização da NR-1, que obriga as empresas a gerenciarem rigorosamente os riscos psicossociais a partir de 2026. O objetivo é demonstrar aos futuros profissionais de tecnologia que o colapso mental não é uma falha isolada do sujeito, mas sim o sintoma estrutural de uma engrenagem de mercado adoecedora, promovendo um debate indispensável sobre a defesa da saúde mental, a urgência de reconstruir os laços sociais e o futuro do trabalho. |