| Apresentação |
A palestra promove uma análise histórica, social e linguística comparativa entre dois momentos críticos da saúde pública no Brasil separados por mais de um século: a Revolta da Vacina de 1904, no Rio de Janeiro, e a recente crise sanitária da COVID-19. Longe de propor uma equiparação simplista, o debate esmiúça os contrastes éticos e políticos de ambos os cenários. Serão discutidos o racismo estrutural, os resquícios do projeto eugênico e higienista na reforma urbana de Pereira Passos e a legítima resistência da população periférica no pós-Abolição (liderada por estivadores, capoeiristas e as redes de apoio dos terreiros de candomblé). Em contrapartida, a análise investiga a "fratura" do consolidado Programa Nacional de Imunização na atualidade, demonstrando como a negação da vacina na pandemia contemporânea operou "de cima para baixo", instrumentalizada por campanhas coordenadas de desinformação (fake news) e sectarismo político. O encontro oferece ferramentas críticas para estudantes de Ensino Médio, das licenciaturas e demais áreas compreenderem as disputas discursivas de poder que envolvem o controle dos corpos e o território urbano. |